Eu nunca pensei que fosse ter uma empregada. Eu nunca pensei que teria que abrir uma empresa. Eu nunca pensei que aprenderia a dirigir. Eu nunca pensei que sábado seria um dia útil, no qual eu vou ao supermercado, ao cabeleireiro e algumas vezes, à academia. Eu nunca pensei que teria que controlar meu peso e que iria à nutricionista. Eu nunca pensei que teria que controlar a mim mesma e que iria à análise durante anos.
Eu pensava em me casar, sim, mas não de véu, grinalda e papel passado como aconteceu. Eu pensei que um dia conheceria uma cara maravilhoso e simplesmente iria morar com ele. Foi diferente do que eu imaginava, mas chegou o dia em que eu comecei a pensar em deixar de ser um casal e em formar uma família. E essa é outra coisa que eu nunca pensei que fosse acontecer.
Nos últimos tempos aconteceram muitas coisas improváveis. Eu nunca pensei, por exemplo, que eu teria que enterrar o meu pai aos 30 anos e ir trabalhar na semana seguinte e além disso ter que mostrar serviço pra não me demitirem. Eu nunca pensei que meus colegas de redação seriam pessoas 8, 10 anos mais novas que eu. E que um dia eu teria que aprendender a domar meu gênio do cão para parar de viver sendo demitida ou pedir demissão.
Eu nunca pensei que faria um plano de saúde por conta própria e que as maternidades e o hospitais referência em câncer credenciados seriam determinantes para a minha escolha.
Você não sabe dizer exatamente o momento em que se torna adulto. Não é a idade que marca isso, mas eu não sei dizer o que é. E apesar de saber que esse dia chegaria, eu acho que nunca acreditei mesmo.
Acho que eu tinha muito medo de crescer porque eu não queria ser como os adultos que me cercavam. Nunca concordei com aquela música que diz que "vivemos como nossos pais". Eu acredito que é possível inventar a própria idade adulta e fazê-lo com dignidade.
Esse blog é uma narrativa deste processo. Bem-vindos.
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