terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

My boys

Os meus dois melhores amigos estão indo embora de São Paulo. Um é nordestino, o outro, do interior do estado. Ambos vão fazer o percurso inverso da maioria que chega a esta terra prometida brazuca: estão indo atrás de melhores oportunidades profissionais. Porque São Paulo é boa, mas cansa. Ou nesse caso, satura.

Quem fica pra traz como eu tem essa sensação de que está esperando a hora de apagar a luz, pois, como a maioria da população desta cidade, eu também vim de longe para realizar meus sonhos suburbanos na cidade grande. Só que eu não sabia que quem transforma esse lugar em seu ninho, muitas vezes pode não perceber o que São Paulo realmente é: um lugar de passagem.

E eu tive que me acostumar a dizer adeus.

Eu queria estar alegre por todos os que se foram. Eu queria ser uma pessoa madura e equilibrada, que fica feliz pelos outros e pensa que tudo será para o melhor deles, que sejam muito felizes. Mas eu não sou assim.

Eu só consigo pensar que estou perdendo meus amigos mais próximos de uma única tacada. Que eles vão se mudar para cidades vizinhas e continuarão se vendo, enquanto eu vou ficar aqui sozinha. Enquanto eu vou ter que ficar aqui e andar com meninas. Eu vou ficar aqui e aprender a sair de casal, andar com os amigos do marido.

E não é que eu não tenha outros amigos ótimos, não é que os amigos do meu marido também não sejam ótimos. Mas é que esses dois, assim como aquele curitibano que fugiu pra terra gelada, são os meus meninos. E mais uma vez eu vou ter que me acostumar a viver sem eles, com esse buraco no coração, já que pra essas coisas não há substituto e não há tempo que cure.

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